“Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” Mc 16,15

A força transformadora da Doutrina Social da Igreja

Dom Romualdo Matias Kujawski 10/10/2018  |  14:46:14

A Igreja Católica tem uma visão muito clara do mundo e de suas necessidades; e por isso oferece a solução cristã para os graves problemas da humanidade segundo a Luz do Evangelho de Jesus Cristo. Ela afirma que “Não cabe aos pastores da Igreja intervir diretamente na construção política e na organização da vida social. Essa tarefa faz parte da vocação dos fiéis leigos, que agem por própria iniciativa com seus concidadãos… Terá sempre em vista o bem comum e se conformará com a mensagem evangélica e com a doutrina da Igreja. Cabe aos fiéis leigos “animar as realidades temporais com um zelo cristão e comportar-se como artesãos da paz e da justiça” (SRS 42). (CIC §2442)

Estamos vivendo uma profunda crise social e política! Não somente no Brasil, mas tal crise ultrapassa os limites de nosso país. Podemos observar certo relativismo e polarização das ideias, que tem influenciado também, sem dúvida nenhuma, o caminho de nossa Igreja.

Duas perguntas para direcionar essa reflexão: Onde estamos errando com o mundo de hoje? Como Igreja, o que Jesus desejaria de nós?

Gostaria me concentrar somente na dimensão social da presença da Igreja na sociedade, não esquecendo que a fé e bem estar social concretizam-se e passam pelo bem da pessoa. Este personalismo é importante porque surge da pedagogia de Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo 10,10)

Infelizmente, o social como expressão do agir das pessoas cristãs e católicas muitas vezes não correspondem com a proposta de Jesus: “Amai vos uns com os outros igual como eu vos amei” (Jo 15,12). Até parece que a Doutrina Social da Igreja tornou-se “um mistério mais preservado” e pouco integrado em nossa evangelização. Neste campo, sinto que é necessária uma forte, interna e hierárquica conversão para sair do bom papo politológico e ecológico, oferecendo aos nossos fieis, através das pastorais sociais, um novo anúncio do Evangelho Vivo, isto é, a partir de um autêntico encontro pessoal com Jesus Cristo, incluindo todos os problemas sociais e principalmente a opção preferencial pelos pobres.

Diria mais, se recusássemos incluir a Doutrina Social da Igreja em nosso ensinamento comum, perderíamos a fidelidade a Cristo. A Doutrina Social, como parte integral da obra da evangelização nos ajuda a entender a diversidade política e cultural, proporcionando um diálogo construtivo com o mundo moderno, dando assim o bom testemunho da Verdade cristã.

O que é esta Doutrina Social da Igreja? A história inicia-se na Alemanha, nos anos quarenta, do século décimo nono. A exploração desumana dos trabalhadores no mundo industrial daquela época gerou o protesto de Dom Keteler, Bispo de Moguncia, na Alemanha. Ele manifestou-se contra a exploração, e começou a falar sobre os direitos trabalhistas e vida digna dos operários. No final do século décimo nono, o Papa Leão XIII, divulgou a famosa Encíclica Rerum Novarum, aprofundando o assunto da dignidade humana, do trabalho, do salário e do lucro justo. Sendo assim, os Papas do século XX, pronunciaram-se nos casos sociais, em conformidade com os contextos da época. Destaco o pronunciamento de São Joao Paulo II, na Encíclica Laborem Exercens, sobre a prioridade da pessoa, ao qual deveriam submeter-se as regras econômicas e trabalhistas.

A Doutrina Social da Igreja abarca muitos aspectos. Pensando hoje sobre as questões sociais, podemos citar a falta da moradia, trabalho escravo, salário justo, problema dos sem-terra, exploração de crianças e adolescentes, exclusão dos indígenas, monoculturas, desmatamento e qualquer injustiça social. Vale a pena refletir sobre esta miséria social, a partir da experimentada reflexão da Igreja. Nos dias de hoje, sinto falta dessa preocupação em nossas Pastorais Sociais.

Justamente na Doutrina Social da Igreja, podemos aprofundar os numerosos problemas gritantes que muito nos incomodam. Lá encontramos temas polêmicos, porém importantes, como por exemplo, salário justo, a destinação universal dos bens, a ordem moral estabelecida por Deus, sobre dignidade da Pessoa Humana, a busca do bem comum e a solidariedade, sobre a subsidiariedade, a atenção especial aos pobres, o trabalho, salário e lucro justos. Lá encontramos também o protesto ao império do dinheiro, ao capitalismo selvagem e liberal, ao socialismo despersonalizado, ao colonialismo ideológico, a ganância desumana do Estado e o pecado da corrupção.

Voltando ao pergunta inicial preocupando-nos com a eficiência pastoral da Igreja de hoje, acredito que Jesus Cristo continua a nos fortalecer com a sua graça, porque “veio para tenhamos vida plena Nele”! (Jo 10,10). Ele nunca vai nos abandonar.

Não há outro caminho! O melhor caminho para nós é luta pela nossa santidade, nesse caminho de conversão ao qual fomos guiados, abrindo o coração para que Jesus Cristo nos ajude em todas as áreas de nossas vidas, seja no campo pessoal, familiar, político ou social. Desejo que esta seja a prática dos servos fieis, na vivência efetiva da prática de oração, além das virtudes da fé, esperança e caridade.

Que Nosso Senhor do Bonfim tenha paciência conosco, e que Teu nome seja para sempre louvado!

Com a minha benção,

Dom Romualdo Matias Kujawski
Bispo de Porto Nacional (TO) 

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