“Eu te constituí como luz das nações para levares a salvação até os confins da terra” (At 13,47)
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Por que nós católicos não gostamos de falar em dízimo?

Publicado em 5 de maio de 2020 - 11:50:43

Não há uma resposta pronta para esta pergunta. Podemos tentar respondê-la, de acordo com as experiências que vivenciamos com relação ao dízimo, ao longo da nossa caminhada dentro da Igreja. Percebe-se que nós, os ministros ordenados, padres, bispos e diáconos temos dificuldade em falar sobre o dízimo aos fiéis, nas mais diversas oportunidades de contato (reuniões, palestras, missas, etc). Esta dificuldade talvez advenha do que a mídia e os meios tecnológicos nos mostram sobre como é tratada a questão do dízimo nas outras religiões, principalmente algumas evangélicas, que dão grande ênfase ao dízimo como o único meio necessário para se alcançar as bênçãos de Deus, a questão da prosperidade de bens materiais que só acontece se a pessoa for um dizimista fiel, contribuindo regularmente com os 10% sobre toda sua renda. Então, quando o padre começa a falar sobre dízimo nos encontros, nas missas, o fiel “torce o nariz”, “coça a cabeça”, ou seja, desaprova a atitude do padre como inconveniente.

Meus irmãos, o dízimo é bíblico, é dom e compromisso. Dízimo não é despesa, é bênção de Deus. O próprio Jesus falou sobre dizimo em diversas ocasiões. Uma delas, quando ele foi questionado sobre ser lícito ou não pagar o imposto ao imperador romano César Augusto, e ele respondeu com toda a sabedoria: “Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. E o que é de Deus? É a nossa gratidão pelas maravilhas que Ele realiza em nossas vidas, ato este concretizado na forma de contribuição com o dízimo e a oferta na paróquia que frequentamos.

E com que valor eu devo contribuir? De acordo com o tamanho da sua gratidão a Deus, o que o seu coração mandar, seja 1%, 5% ou 10% da sua renda mensal. E é o seu dízimo que vai manter a Igreja (dimensão eclesial) e seu belíssimo trabalho missionário (evangelização) e caritativo (auxílio aos necessitados), sem contar a sua satisfação em permanecer fiel a esse compromisso com Deus, através de sua Igreja (dimensão religiosa).

Estamos vivenciando dias difíceis, em virtude da pandemia do Coronavírus, isolamento e distanciamento social, crise na economia, redução da jornada de trabalho e desemprego. Esta pandemia não pode nos fazer reféns do medo. Agora mais do que nunca precisamos depositar toda nossa confiança em Deus, como fez aquela pobre viúva no templo, quando entregou as duas únicas moedinhas que tinha para seu sustento, como oferta a Deus, na certeza de que Ele é um Deus que jamais abandona aqueles que têm fé.

Mesmo que você, nestes tempos difíceis de pandemia, não possa participar das Santas Missas para receber o Cristo na hóstia santa, saiba que a sua Igreja, que é sinal expressivo da presença de Deus em nossas vidas, não morrerá jamais. E, para isto, precisamos manter com ela nosso compromisso de amor e de fé, que se dá de uma maneira plena, pelo seu belo gesto de contribuir com o dízimo e oferta na sua paróquia. Embora não seja o método ideal, pois o dízimo deve ser de preferência levado em mãos até a Igreja, continue contribuindo com sua Paróquia, através de transferências bancárias, sem sair de casa. Os meios tecnológicos estão aí para nos ajudar neste sentido, assim como nos ajudam a assistir a Santa Missa virtualmente.

Se você ainda não fez esta belíssima experiência do dízimo em sua vida, faça. Você verá como é maravilhoso ser fiel a Deus e a sua Igreja que o abençoará naquilo que você precisa, se for da vontade Dele.

Pe. Celso de Jesus Ribeiro
Animador Diocesano da Pastoral do Dízimo
 

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