
No centro de Piracicaba, ergue-se majestosa a Catedral de Santo Antônio. Símbolo e ponto de referência, ela é um dos cartões postais da cidade. Mas o seu significado é mais amplo e profundo.
A Catedral é a igreja-mãe da diocese, o centro da vida litúrgica. É o ponto concreto de unidade, templo das grandes celebrações diocesanas. Nela está a “cátedra” do bispo, o pastor responsável por toda a diocese, por isso é chamada “Igreja catedral”.
“Cátedra” é uma palavra latina que significa “cadeira”. Ela constitui o símbolo da autoridade episcopal. Quando o bispo toma posse na diocese que lhe foi confiada, ele, com a mitra e o báculo, senta-se na “cátedra” ou “cadeira episcopal”. Como mestre e pastor, daquela sede ele orientará o caminho dos fiéis. Na “cátedra” o bispo senta durante as leituras, daí ele preside e conclui a celebração e, se o desejar, faz a homilia. A “cátedra” é um elemento sacramental e não simples lugar utilitário.
Para o Papa emérito Bento XVI, “cátedra, literalmente, quer dizer a sede fixa do bispo, colocada na igreja-mãe de uma diocese, que por este motivo é chamada ‘catedral’, e é o símbolo da autoridade do bispo e, em particular, de seu ‘magistério’, ou seja, do ensinamento evangélico que ele, enquanto sucessor dos apóstolos, está chamado a custodiar e transmitir à comunidade cristã.”
A Catedral de Santo Antônio se ergue como um monumento de fé. Com suas torres, aponta para o alto, convidando-nos a contemplar as grandezas celestes. Com suas portas, abre-se para a praça central, convidando-nos à união e à fraternidade. Com a beleza de sua arquitetura e de seus vitrais, convida-nos à oração e à meditação. Como igreja-mãe lembra que formamos a Igreja diocesana, porção do povo de Deus que caminha em unidade com o bispo, nosso pastor, sob a proteção de Santo Antônio, padroeiro da Diocese de Piracicaba
Catedral - Dados Históricos

A primeira catedral e a atual
No centro da cidade de Piracicaba, ergue-se majestosa a Catedral de Santo Antônio, sinal de unidade da diocese. A história do templo atual se inicia em 1946.
A primeira catedral foi a antiga matriz de Santo Antônio. Era uma bela construção neoclássica, mas que se encontrava em estado precário. Tomando posse, o primeiro bispo, Dom Ernesto de Paula, ouviu a opinião de muitas pessoas que recomendavam a construção de uma nova igreja. Mas, como escreveu em seu livro “Reminiscências”, não se sentia à vontade para a penosa tarefa: “Eu não me dispunha a enfrentar a construção de uma nova catedral, pelo menos logo no início do meu governo, por dois motivos: primeiro, porque achava uma atitude pouco simpática da parte do bispo bulir, logo de entrada, com uma igreja que, apesar dos pesares, se constituíra num patrimônio da cidade; e depois, porque eu acabava de construir a catedral, o palácio episcopal e outras casas em Jacarezinho (onde fora bispo antes) e me sentia saturado de construções.”
A insistência de muitos, porém, levou o bispo a pensar seriamente no assunto, embora ainda nutrisse alguma esperança de que pudesse reformar a velha igreja. Consultou diversos engenheiros, mas eles disseram que a melhor solução seria demoli-la. Assim, em reunião do clero, em 22 de janeiro de 1946, Dom Ernesto comunicou sua decisão de construir uma nova igreja catedral e recebeu a aprovação unânime. Diante disso, o bispo decretou a demolição da velha matriz e publicou na imprensa um edital a esse respeito. Algumas vozes discordantes começaram a se manifestar, mas a decisão estava tomada.
O bispo solicitou à Santa Sé licença para que a Igreja de São Benedito funcionasse como catedral provisória, o que foi concedido. No dia 25 de janeiro, Dom Ernesto celebrou a última missa na velha catedral. Após a celebração, a imagem de Santo Antônio foi transladada para a Igreja São Benedito. E à noite, o Santíssimo Sacramento foi levado em procissão. No dia seguinte, iniciou-se a demolição da igreja.
Meses depois, a 13 de junho, dia de Santo Antônio, foi lançada e benta a pedra fundamental da nova catedral. Dois anos depois, na festa do padroeiro, Dom Ernesto celebrou a primeira missa na igreja em construção.
Em 1950, a partir de abril, nos domingos e dias santos, as missas passaram a ser celebradas na igreja em fase de acabamento. No dia do padroeiro, foram inaugurados os vitrais das naves laterais, com cenas representativas da sua vida. No dia 7 de dezembro foram inaugurados o altar-mor, a mesa da comunhão, o forro, os vitrais da nave central e a grande rosácea do coro.
E depois de apenas quatro anos, no dia 27 de dezembro de 1950, aconteceu a inauguração oficial da Catedral, com missa pontifical celebrada pelo pároco, Monsenhor Manoel Francisco Rosa, que comemorava seu Jubileu de Ouro Sacerdotal e que foi o responsável pelas obras de construção do templo. Estavam presentes o bispo diocesano, Dom Ernesto de Paula; Dom Paulo de Tarso Campos, bispo de Campinas; Dom José Carlos Aguirre, bispo de Sorocaba; Dom Francisco Borja do Amaral, bispo de Taubaté; Dom Paulo Pedrosa, abade do Mosteiro de São Bento; vários sacerdotes de Piracicaba e Campinas e um grande número de fiéis.
Faltavam ainda a conclusão das torres e outros pequenos serviços de acabamento, mas “a nova catedral se apresentou em toda a sua majestade, e o povo foi unânime em me felicitar” – escreveu Dom Ernesto em seu livro “Reminiscências”.
A nova catedral já cumpria plenamente sua função. Alguns anos depois, no dia 13 de março de 1958, aconteceu a bênção das torres, pelo Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, arcebispo de São Paulo. Foi um acontecimento grandioso, para o qual acorreu uma multidão de fiéis, em cerimônia que contou com a presença de ilustres autoridades. Estavam presentes o Presidente da República, Juscelino Kubitschek, o Governador do Estado, Jânio Quadros, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores de vários municípios.
E no dia 17 de junho de 1962, celebrou-se a dedicação solene da catedral, oficiada por Dom Armando Lombardi, Núncio Apostólico, a convite de Dom Aníger Francisco de Maria Melillo, segundo bispo diocesano. A dedicação é uma cerimônia litúrgica em que se consagra uma igreja, dedicando-a exclusivamente a Deus, lembrando que ela é consagrada como um lugar abençoado, ponto de encontro de Deus com seu povo. Nessa cerimônia, que só se realiza quando a construção da igreja está totalmente concluída, o consagrante unge com o óleo do Crisma o altar e vários pontos do templo.
